Desde o início do ano até setembro, foram 425 notificações de morte encefálica na Bahia, segundo a Sesab

O cérebro parou de funcionar às 15h30. Embora o monitor cardíaco ao lado da cama ainda mostre uma boa frequência cardíaca, não há mais possibilidade de vida para o paciente, internado quatro dias antes, depois de uma queda de moto, em Salvador. Os médicos começam a aplicar testes que comprovariam oficialmente, 48 horas depois, a morte cerebral do ex-vendedor Maciel. Agredido fisicamente, o cérebro pode perder as funções aos poucos e morrer.

Desde o início do ano até setembro, foram 425 notificações de morte encefálica na Bahia, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesab). A pasta utiliza o termo “notificar”, pois é possível que outros baianos tenham tido morte cerebral sem que entrassem para a estatística, já que a morte do cérebro pode estar acompanhada da falência total de outros órgãos.

O caso de Maciel, relatado sem descrições pessoais pelo médico, ilustra como o cérebro pode ser sensível a lesões físicas, seja por meio de agressões violentas, como murros e chutes na cabeça, seja em quedas. No dia 22 de novembro, o apresentador Gugu teve morte cerebral atestada pelos médicos, dois dias depois de bater a cabeça numa queda de quatro metros. O apresentador subiu no forro de casa para tentar trocar o filtro do ar-condicionado.

A morte cerebral é sinônimo de morte, explica a neurologista Elza Magalhães. É apenas uma forma de dizer que a “morte começou no cérebro”. Para isso, é necessária uma lesão grave o suficiente para fazer parar de funcionar o órgão de onde partem os comandos de nossas funções nervosas, motoras e de órgãos. Qualquer abalo físico pode ser suficiente para paralisar o cérebro, mas não necessariamente é o que acontece. A maioria das lesões é leve.

A lesão na cabeça pode levar, por exemplo, a um traumatismo craniano, quando o crânio, que protege o cérebro, é atingido. É possível que, depois do ferimento, haja sangramentos. E qualquer passagem de sangue fora dos vasos, nesse lugar do corpo, pode ser fatal.

Na Bahia, números da Sesab apontam que, em 2018, houve 5.710 internamentos por traumatismo craniano e, até setembro deste ano, eram 4.224.

As consequências podem ser imediatas ou aparecer ao longo das horas, em sinais como perda de consciência, dores e desmaios.

“O paciente que caiu pode ter uma fratura no crânio e ter um sangramento de uma artéria, uma hemorragia muito intensa a ponto de impedir que o cérebro seja oxigenado. O sangue, fora da artéria, é lesivo. O sangue precisa estar dentro da artéria para alimentar o cérebro”, explica a neurologista.

É possível, ainda, que haja inchaço do cérebro, o que indica morte das células –  o cérebro pesa em média 1,5 kg, mas o crescimento em caso de lesões depende de cada caso.

Não há nenhum tipo de queda ou ferimento na cabeça que possa ser diretamente associado a uma futura morte do cérebro. Uma lesão no córtex, responsável por nossa capacidade de pensamento e percepção, pode evoluir para a parte responsável pelos movimentos, e assim por diante. 

A recomendação é que o atendimento seja imediato. A rapidez pode significar ganho de tempo na prevenção de morte dos neurônios, por exemplo, que recebem e transmitem, ao longo do corpo, nossos impulsos. Até porque cada um dos 86 bilhões de neurônios é insubstituível.

Diagnosticando

Do cérebro, partem as coordenadas para os movimentos, as sensações e órgãos como o coração. A morte cerebral ou encefálica é resultado de múltiplas falências no órgão. Desde 1974, uma escala, chamada Escala de Glasgow, passou a ser adotada nos hospitais para medir o grau de comprometimento do cérebro. São observados sintomas e reações, e cada resposta, ou falta de resposta, resulta numa pontuação. Se for menor ou igual a três, como no caso de Gugu, a chance de morte é iminente.

A partir daí, os médicos começam a trabalhar com a possibilidade real de uma morte cerebral. Em 2017, o Conselho Federal de Medicina passou a exigir a abertura de um protocolo específico quando já não há mais reação aos estímulos. Hoje, na Bahia, segundo a médica Raquel Hermes, as principais causas de morte encefálica são traumas no crânio.

Por isso, justamente em hospitais como o Geral do Estado e o do Subúrbio, que atendem casos mais traumáticos, estão concentradas as notificações - no primeiro, foram 61; no segundo, 46.

O paciente já não treme os olhos na presença de uma luz próxima, nem há reflexo de vômito quando a parte de trás da garganta é tocada. É o momento de realizar dois exames clínicos:

“Um teste de apneia – ausência de respiração espontânea – e um dos quatro exames, como eletroencefalograma, utilizado para registrar a atividade elétrica do cérebro”. 

Pelo menos um dos médicos da equipe precisa ser intensivistas, neurologista, neurocirurgião ou emergencista. O resultado positivo dos exames é a prova de que o cérebro deixou de atender aos estímulos. O resultado é definitivo e não há qualquer possibilidade de retomada das atividades. O que se vê nos hospitais, no entanto, é uma expectativa de “ressurreição”. Isso porque, quando o cérebro para de funcionar, o coração e os outros órgãos continuam em atividade. Os parentes relutam em acreditar que, num corpo onde o coração ainda bata, não haja mais vida.

Aceitação

Depois de confirmada a morte cerebral, o protocolo é imediatamente suspenso. É possível que, mesmo uma semana depois, o coração ainda bata, a depender da situação de cada paciente. Em março deste ano, um jovem teve morte cerebral constatada depois de ser atingido por um tiro no peito, no Carnaval. A mãe esperou quatro dias até desligar os aparelhos, por acreditar que o filho reagiria.

Não há, como explicaram as médicas, nenhum prazo específico para desligar os aparelhos. “O que acontece, na prática, é que respeitamos o sofrimento familiar, pois não há intenção de levar a um luto complicado”, explica Raquel. Para o Conselho Federal da Medicina, o médico tem autoridade ética e legal para suspender qualquer procedimento de suporte terapêutica "e assim deverá proceder".

A dificuldade de aceitar a morte cerebral, opina Manuele Alencar, médica paliativa, vem de uma dificuldade de entender o real significado da morte que começa no cérebro.

“Para quem é leigo, é difícil entender, concatenar uma coisa com a outra. Se o coração está batendo, como não há vida? Traz uma confusão mental”, acredita.

O medo e a espera de um milagre dificultam até a doação de órgãos. Hoje, 933 pessoas aguardam a doação de uma fígado, a maior fila de espera por transplante na Bahia, segundo a Sesab. Mesmo entre quatro e seis horas depois da morte cerebral, é possível doar órgãos e salvar vidas.

A recomendação geral é, principalmente, explicar os significados e razões daquela morte, mas também acolher o sofrimento do outro. 

Possíveis causas de morte craniana

Trauma aberto (como em casos de ferimento de tiro), fechado (lesões contundentes) ou anóxia (período sem oxigênio causado por envenenamentos, afogamento, inalação de fumaça, etc.);

AVC (Acidente Vascular Cerebral);

Coma alcoólico ou overdose;

Infarto;

Tumores ou hemorragias cerebrais;

Aneurisma rompido;

Infecção (bacteriana, fúngica ou viral);

Baixos níveis de glicose no sangue.

Fonte: Rede Bahia


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